18 de junho de 2020

Depois que você descobrir como criar um banco digital, vai ver que tem nas mãos uma oportunidade de negócio bastante interessante.

Isso porque esses são modelos bancários que oferecem atendimento, soluções e serviços 100% on-line, indo totalmente ao encontro de como a internet vem sendo utilizada atualmente.

Segundo a Febraban, Federação Brasileira de Bancos, cada vez mais os canais digitais estão sendo utilizados para transações bancárias: 6 a cada 10 são realizadas via internet banking ou aplicativos mobile.

Entre os vários motivos que levaram a esse crescimento, um que se destaca na pesquisa é o uso intenso de celulares pela população. Só as operações bancárias efetuadas com esses dispositivos representaram 40% de todas as realizadas via internet em 2018.

Para reforçar essa informação, é interessante citarmos uma pesquisa que mostrou a internet como um recurso comum a 70% dos brasileiros.

Além dessa, há outra realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV- SP) que apontou que existem mais de 420 milhões de dispositivos digitais no Brasil (entre smartphones, computadores, tablets e notebooks), aproximadamente 2 para cada habitante.

Ou seja, esses dados deixam ainda mais claro que o mundo está cada vez mais digital, incluindo nosso país.

Por isso, os serviços oferecidos, a exemplo dos bancários, precisam seguir essa linha para atender uma demanda de clientes cada vez mais exigentes de qualidade e agilidade.

Mas como criar um banco digital no Brasil para suprir a necessidade desse público? Quais os primeiros passos? E legislações, quais seriam? Continue a leitura e descubra!

O que é um banco digital?

Para saber como criar um banco digital é importante, primeiro, saber o que se trata esse tipo de serviço.

Banco digital é uma instituição financeira ou de pagamentos que utiliza a internet para prestar serviços bancários aos clientes. Ou seja, não há atendimento presencial e os processos são realizados 100% online.

Da abertura da conta, passando por movimentações como pagamentos e transferências, até investimentos e empréstimos, tudo é feito virtualmente.

Os bancos digitais surgiram a partir das fintechs, com a proposta de oferecer serviços bancários menos burocráticos e mais ágeis, se beneficiando do uso cada dia mais constante da internet e das novas tecnologias para isso.

Como criar um banco digital?

Com o conceito mais claro, fica mais fácil falarmos sobre o processo de criação e abertura, de um negócio como esse, concorda?

Saber como criar um banco digital consiste em abordar questões sobre legislação, segurança de dados, atendimento, entre outras. Por isso, vamos falar de cada uma pontualmente.

Identifique seu público-alvo

A definição de público-alvo é o primeiro passo para qualquer negócio. Por isso, na criação de um banco digital não poderia ser diferente.

Neste ponto você deve avaliar quais as necessidades e costumes dos seus potenciais clientes e, com base nisso, identificar o que seu banco precisa oferecer para supri-las e conquistá-los.

Para chegar a essas respostas é importante se respaldar em dados reais que mostrem as soluções digitais de pagamento mais utilizadas pelo público que pretende alcançar, bem como seus padrões de comportamento.

Levantamentos assim podem ser realizados com auxílio de agências especializadas nesse tipo de pesquisa.

Os resultados são ferramentas importantes que ajudam a identificar qual abordagem aplicar e quais serviços oferecer para ter sucesso no seu negócio.

Faça uma análise dos concorrentes

Assim como você, outros empreendedores também buscaram saber como criar um banco digital e saíram na frente.

Por isso, para se destacar nesse mercado — que ainda tem muito a ser explorado — é importante fazer uma análise dos seus concorrentes e identificar seus pontos fortes e fracos.

Essa análise contribui para verificar o que de positivo os demais bancos digitais estão oferecendo e quais falhas que ainda cometem, gerando importantes insights para superá-los nesse ponto.

Além disso, estudar os concorrentes ajuda a verificar quais erros cometeram e evitar passar pelo mesmo, colaborando para a construção de um negócio mais sólido e que transmita mais valor ao público.

Crie um MVP

MVP, Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável, é a versão simplificada de um produto a ser lançado, posteriormente, em escala maior.

Para ficar mais claro o conceito vamos dar um exemplo. Imagine que você queira oferecer no seu banco digital uma solução de pagamento via contactless, por meio de um adesivo que pode ser fixado na parte traseira do celular.

No entanto, você não sabe como será a aceitação do público e, dependendo de como for, o investimento pode ser perdido.

O MVP funciona como uma fase de teste, da qual é possível levantar dados concretos para verificar a viabilidade, ou não, de um projeto.

Segundo a McKinsey & Company, essa estratégia contribui para reduzir até 70% as chances de erros, ou de ofertar alguma solução com defeito ao público.

Porém, é preciso deixar claro que o Produto Mínimo Viável não se trata de um produto ou serviço com funcionalidade limitada. Isso não quer dizer que ele precisa ter todas as funcionalidades disponíveis no mercado, ele só precisa ser um produto completo que atenda minimamente a necessidade que se deseja testar.

Para conseguir informações precisas é fundamental disponibilizar a versão completa. A diferença é que ela estará disponível para um número menor de pessoas, até que seja constatado o seu valor.

Escolha seu modelo de negócio

Além de saber como criar um banco digital, é importante que você defina qual tipo de banco quer criar. Afinal, existem diversas vertentes que podem ser exploradas, tais como:

  • Nonbanks: não possuem ligação com as licenças necessárias dos bancos tradicionais;
  • Bancos Beta: empresas joint ventures ou subsidiárias que utilizam a licença da empresa-mãe para operar, porém, possuem uma oferta limitada de serviços;
  • Neobanks: fintechs que precisam de instituições financeiras parceiras para prestarem serviços, visto não possuírem licença para trabalhar como banco;
  • Challenger banks: oferecem os mesmos produtos e serviços dos bancos tradicionais, pois possuem todas as licenças.

Verifique as legislações

Por falar em licenças, existem legislações que precisam ser seguidas quando se trabalha com serviços financeiros.

No Brasil, três órgãos são responsáveis por essa regulamentação: o Banco Central (Bacen), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Aqui, vale salientar que há uma pequena diferença entre fintech de serviços financeiros e bancos digitais. Um banco virtual já nasce com essa permissão de operação pelo Banco Central. Já as fintechs recebem regulamentações próprias, baseadas em seu porte e perfil.

Por exemplo, as resoluções 4.656 e 4.657/2018 foram as responsáveis por considerarem as fintechs instituições financeiras. Com isso, passaram a poder funcionar também como SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas) e SCD (Sociedade de Crédito Direto).

Mas há uma regulamentação que é comum a ambos: a lei nº 3.709/18, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que dispõe sobre como dados pessoais, inclusive os tramitados digitalmente, devem ser tratados.

Você pode entender melhor sobre a LGPD ouvindo este podcast:

Busque oferecer um atendimento diferenciado

A Febraban constatou que houve um aumento de 80% no número de transações com movimentação financeira realizadas via mobile. Nesse número estão inclusos transferências, pagamentos e até aplicações e investimentos.

Ou seja, cada vez menos as pessoas comparecem a um banco físico para fazer suas operações bancárias.

No entanto, o fato de um banco digital trabalhar 100% virtual não quer dizer que o atendimento não deve ser humanizado.

Ainda que o público esteja dando preferência a realizar diversas tarefas via internet, o atendimento recebido é um ponto que pesa bastante.

Um levantamento da PwC mostrou que, na América Latina, 49% das pessoas tendem a deixar de fazer negócios com uma empresa após terem uma má experiência.

Assim, por mais que se trate de um negócio totalmente online, o atendimento e a experiência do cliente devem ser priorizadas. Esse cuidado também é visto como um diferencial entre o seu banco e os demais.

O que mais você precisa saber sobre como criar um banco digital? Entrevista com Cássio Damasceno, Head de Banking da Zoop

Cássio, do ponto de vista técnico, como deve ser a tecnologia utilizada para a criação de um banco digital? O que deve oferecer?

A tecnologia deve ser a que permita melhor interação com o cliente, não importando qual seja.

A grande diferença de uma conta digital para uma conta bancária normal é a possibilidade de oferecer uma experiência diferente dos bancos normais: mais velocidade, facilidade, foco no cliente e suas necessidades.

Nesse ponto, entende-se que uma tecnologia para User Interface — que ofereça recursos suficientes para atingir esses objetivos, por exemplo, Inteligência Artificial no atendimento e processo de onboarding —, bem como uma tecnologia que permita o desenvolvimento de um backend que tenha um grande throughput são essenciais.

Tudo isso vai exigir um bom time operacional, certo? Qual a equipe ideal para criar esse tipo de negócio, ou seja, quais profissionais não podem faltar?

É importante aproveitar ao máximo os processos computacionais, a fim de diminuir quanto for possível a necessidade de um grande time operacional.

Por isso, indico tirar bastante proveito das máquinas para, por exemplo, leitura de documentos; análise desses por meio de Inteligência Artificial; avaliação de dados divergentes, não convencionais ou não esperados nos processos transacionais, deixando para o processo humano somente o estritamente necessário.

Sobre o desenvolvimento do projeto, quais pontos você considera mais críticos, aqueles que requerem mais atenção? Em caso de problemas nessas etapas, tem alguma dica de como solucioná-los?

A utilização da metodologia Scrum me parece essencial para um bom desenvolvimento dos projetos, evitando o uso do antigo modelo Waterfall.

Utilizando Scrum é possível quebrar o desenvolvimento do projeto de entregas que geram valor com contínua retroalimentação, permitindo fazer ajustes rapidamente sem não perder o target (objetivo).

E com relação à regulamentação, que pode ser um dos pontos de impacto no processo de abertura de um banco digital, como transpor as barreiras regulatórias de forma mais rápida?

Com a lei nº 12.865 de 2013, o Banco Central criou a figura da Instituição de Pagamento, permitindo a administração de contas de pagamento, que têm um framework regulatório mais leve do que os impostos às instituições financeiras.

O propósito dessa lei foi justamente criar a possibilidade de aumentar a oferta de alternativas às instituições existentes, criando uma maior concorrência, a qual é sempre benéfica para o consumidor.
Após essa lei, o Bacen emitiu vários normativos regulamentando-a, criando também outros tipos de empresas como as SCDs (Sociedade de Crédito Direto), as SPEs (Sociedade de Empréstimos entre Pessoas).

Além disso, temos a implementação do PIX e do Open Banking, sempre pensando no consumidor final.

Por tudo isso, não concordo que exista uma barreira regulatória. A regulação, mais do que tudo, protege o consumidor e organiza o sistema.

Ou seja, não há barreira a ser transposta. No entanto, é preciso interagir com ela e com os reguladores, visto que esse é o caminho que assegura um trajeto seguro e viável.

Quanto custa abrir um banco digital?

Agora que você sabe como abrir um banco digital, deve estar se perguntando quanto custa tirar um negócio como esse do papel e transformá-lo em realidade.

O Banco Central, por meio da resolução nº 2.607, determina valores mínimos de capital e patrimônio líquido para instituições financeiras.

Porém, aqui estamos falando de valores relacionados à tecnologia, desenvolvimento, escolha de plataforma para banco digital e outros recursos. Nesse caso, vai depender de quais serviços você quer oferecer.

Uma forma de começar pode ser através do setor de pagamentos e, nesse ponto, a Zoop pode lhe ajudar, pois nossos produtos unem tecnologia e conformidade regulatória, permitindo que qualquer empresa – seja ela uma startup, um marketplace ou mesmo uma grande empresa madura – possam criar e oferecer serviços financeiros, com sua própria marca, de forma simples, eficiente e segura.

Isso é possível porque a Zoop possibilita que marketplaces, ERPs, empreendedores e outros tipos de negócios passem a gerenciar o fluxo financeiro de seus clientes, gerando novas receitas através de serviços de conta digital, splits de pagamento e antecipação de recebíveis.

Com nossa plataforma de serviços financeiros White Label, que conta com tecnologias de captura para pagamentos presenciais, boletos, e outros meios de pagamentos, você elimina barreiras regulatórias, custos de desenvolvimento e tempo de implementação para sua empresa crescer focada no que faz melhor.

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