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Mercado de crédito: a influência do Open Banking nos custos e na expansão desse setor

Publicado em 12 de fevereiro de 2021 por Redação Zoop

De acordo com a Distrito, das 828 fintechs existentes atualmente no Brasil, 124 (15%) são voltadas para o mercado de crédito. 

Considerando que no dia 1º de fevereiro de 2021 o Banco Central deu início à primeira fase do Open Banking, o que muda para essas startups de serviços financeiros, bancos e para as demais empresas que oferecem esse tipo de produto aos seus clientes?

Um dos pontos mais discutidos sobre isso se refere à expectativa de diminuição do custo do crédito.

O aumento da competitividade entre os participantes indica uma tendência à redução dos valores cobrados dos clientes decorrentes de taxas e juros.

Considerando que o usuário bancário terá mais facilidade de migrar de uma instituição para outra, essa estratégia é fundamental para que a oferta desse serviço se torne mais atraente para ele.

Mas seria apenas esse o ponto de impacto do Open Banking no mercado de crédito? Confira o que mais tende a mudar com a chegada do sistema financeiro aberto no Brasil.

Os possíveis impactos do Open Banking no mercado de crédito

Segundo dados do Banco Central referentes a 2020, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 12 trilhões, valor que representa 162,1% do PIB, Produto Interno Bruto.

O órgão fiscalizador também informou que, quanto ao crédito ampliado a empresas e famílias, houve um crescimento de 15,8%, representando R$ 6,6 trilhões e 89,6% do PIB.

Com relação ao saldo das operações do mercado de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), chegou-se a R$ 4 trilhões em 2020, o que indica um crescimento de 15,5% e aceleração quando comparado ao percentual de 2019, que foi de 6,5%.

Um dos motivos para o aumento dos números do mercado de crédito é decorrente dos programas de estímulo, especialmente os direcionados para micro e pequenas empresas, por conta da crise econômica provocada pela pandemia.

Vale destacar também que, ainda segundo o Banco Central, o crédito livre para pessoas físicas cresceu 10,4% no ano passado, percentual que representa R$ 1,2 trilhão.

No entanto, ainda que o mercado de crédito esteja aquecido, sabe-se que os juros altos cobrados dos clientes é um dos grandes obstáculos na hora de contratar esse serviço. Porém, com a chegada do Open Banking, a tendência é que esse cenário mude.

Entenda mais sobre o Open Banking assistindo este vídeo da Zoop:

Uma das principais expectativas é que o compartilhamento de informações bancárias mediante autorização do cliente fomente a competitividade entre os players.

Com isso, os valores cobrados referentes ao fornecimento de crédito serão reduzidos, como forma de tornar esse produto mais atrativo.

Mas, se formos destacar todos os pontos possíveis de impacto do Open Banking no mercado de crédito, além da potencial redução de juros e taxas, é importante falarmos também sobre:

  • aprimoramento do processo de análise de crédito;
  • redução do spread bancário;
  • abertura de oportunidade para novos entrantes;
  • facilidade para o público avaliar a melhor opção.

Aprimoramento do processo de análise de crédito

Como mencionado, o Open Banking consiste no compartilhamento de dados bancários mediante prévia autorização do cliente.

Dessa forma, bancos, fintechs e demais empresas participantes desse movimento terão acesso mais fácil às informações que precisam para validar a oferta de crédito, as quais antes eram mantidas “presas” e disponíveis apenas para a instituição financeira com a qual o usuário mantinha relacionamento.

Aqui, é importante mencionar que não estamos nos referindo apenas à consulta do cadastro básico do cliente, o número de contas que tem e quanto deve a cada instituição.

No caso, o Open Banking vai contribuir para uma avaliação de risco mais completa e precisa. 

Isso porque será possível ter acesso a informações diversas, tais como as receitas e despesas desse usuário, movimentações financeiras, investimento que eventualmente tenha, gastos com cartão de crédito, entre outras.

Esse ponto também é um dos que contribuem para a redução de custos. Uma das razões é que, uma vez que a instituição analisa o perfil do cliente de maneira mais precisa e estuda os riscos, pode reduzir os valores cobrados, visto sofrer menos chances de inadimplência.

Dica de leitura: “Regulamentação do Open Banking: quais oportunidades de crescimento gera para a sua empresa?

Redução do spread bancário

O spread bancário, diferença entre o valor que o banco/fintech paga por um serviço e quanto cobra do cliente pela mesma solução, também tende a diminuir com o início do Open Banking.

Ainda que esse possa ser um impacto pequeno no mercado de crédito, é um ponto que não deve ser descartado.

A principal razão que pode levar à redução do spread é a competitividade gerada pelo sistema de compartilhamento de dados.

Com o aumento da disputa pela atenção do cliente, é possível que os participantes reduzam os seus juros, ganhando assim no volume total emprestado.

Abertura de oportunidade para novos entrantes

O Open Banking também chega com a expectativa de facilitar a participação de novos entrantes no que diz respeito à oferta de produtos e serviços financeiros.

Soluções que só podiam ser oferecidas pelos grandes bancos, cada dia mais estão sendo criadas e entregues por empresas dos mais variados segmentos, colaborando, assim, para o fim do monopólio bancário.

Nesse cenário, o Open Banking facilita o conhecimento sobre o perfil do consumidor, contribuindo para que os players desenvolvam produtos mais pontuais para as suas atuais necessidades.

Sobre o mercado de crédito propriamente dito, esse movimento pode ser visto como a chance de as empresas acrescentarem esse serviço ao seu portfólio.

Não deixe de ler “Banking as a Service vs Open Banking: diferenças e vantagens para o seu negócio

Facilidade para o público avaliar a melhor opção

Uma vantagem da influência do Open Banking no mercado de crédito direcionada ao público é a facilidade de avaliar qual oferta pode resolver melhor o seu problema.

Isso deve acontecer porque o cliente poderá migrar livremente entre as instituições e, dessa forma, escolher aquela que mais pontualmente atende às suas necessidades.

No entanto, é preciso destacar que esse benefício também é bem importante para os bancos, fintechs e demais empresas participantes.

A principal razão é que essa pesquisa mais ampla e livre do usuário bancário dá a ele a chance de conhecer instituições com as quais, até então, não tinha contato devido às limitações impostas.

Assim, empresas que adentraram há pouco no mercado de crédito têm a oportunidade de apresentar as suas soluções, competindo de forma igualitária com bancos e outras instituições tidas como mais conceituadas.

É importante destacar também que o Open Banking fomenta a criação e a entrega de diferentes produtos e serviços financeiros, e não apenas os relacionados à oferta de crédito.

Por isso, a sua empresa, ainda que não tenha o seu core business nesse setor, pode se beneficiar muito ao acrescentar essas soluções ao seu portfólio de ofertas.

Para entender melhor sobre isso, assista a live do evento Tech Banking: criando os bancos do futuro:

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