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Cashless Economy: por que a digitalização do dinheiro é inevitável?

Publicado em 11 de maio de 2022 por Redação Zoop
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Cashless Economy, em tradução literal, significa economia sem dinheiro. Trazendo isso para a prática, consiste em um tipo de economia na qual as transações financeiras são feitas utilizando métodos de pagamentos digitais, e não dinheiro em espécie.

Ou seja, ao invés de usar dinheiro físico, são utilizados meios de pagamento como cartão de crédito, cartão de débito, carteira digital, Pix e outros similares.

Ao ler isso você deve estar pensando: “Ok, mas isso já acontece no dia a dia, qual a novidade?”. A “novidade”, por assim dizer, está no fato que a tendência cashless economy ganhe cada vez mais espaço, especialmente considerando que vários países já estão caminhando para o lançamento das suas moedas digitais.

O Real Digital, por exemplo, será a versão online do Real em espécie usado aqui no Brasil. Tendo exatamente o mesmo valor e funcionalidade que a moeda nacional impressa, a virtual será uma opção para aqueles que querem migrar do mundo financeiro físico para o online.

Mas o Brasil não é o único a seguir esse caminho. China, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e Índia também já estão em fase de estudos para a implementação das versões digitais das suas moedas oficiais.

É certo que a pandemia do novo coronavírus acelerou a expansão dos pagamentos digitais — inclusive, um estudo divulgado no site UOL, revelou que as mudanças que aconteceram em 12 meses são equivalentes ao que demoraria 10 anos.

Esse mesmo levantamento, que aborda dados sobre os pagamentos digitais da América Latina, também apontou que empresas que migraram para sistemas de vendas online tiveram um aumento de 74% em suas vendas. E aqueles que adotaram pagamentos eletrônicos para vendas presenciais tiveram crescimento de 82%.

Somando ao impacto da pandemia a evolução tecnológica pela qual os processos financeiros e de pagamentos vêm passando, é possível dizer que a digitalização do dinheiro é um processo inevitável? Confira a resposta neste artigo!

O que é Cashless Economy? 

Assim como dissemos logo no início, cashless economy é uma economia sem dinheiro. Isso quer dizer que são usados para pagamento de produtos e serviços meios de pagamentos digitais, e não dinheiro em espécie.

Ainda que o número de pessoas desbancarizadas no Brasil seja alto — 34 milhões continuam sem acesso a bancos, o que equivale a 10% dos brasileiros, segundo dados apresentados no site Valor Investe — o volume de dinheiro impresso segue em queda.

De acordo com dados apresentados no Relatório de Tendências 2022, da Zoop, entre os meses de janeiro e outubro de 2021, R$ 40 bilhões em espécie deixaram de circular no país. Esse montante representa 10,5% a menos em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, houve o crescimento de vários métodos de pagamentos digitais. Por exemplo, o relatório de tendências da Zoop também apontou que o Pix se consolidou nessa categoria, e já é utilizado por mais de 117,7 milhões de brasileiros.

As carteiras digitais seguem a mesma linha de crescimento, com adesão de 89% das pessoas. 

Os pagamentos por aproximação também se destacam, conforme apresentado no relatório “Balanço do setor de meios eletrônicos de pagamento – Resultados 2021”, da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

A pesquisa em questão constatou que os pagamentos por aproximação (contactless), tiveram um crescimento de mais de 384%, comparando 2020 e 2021. Isso resultou em R$ 198,9 bilhões movimentados apenas nessa modalidade.

E se formos considerar apenas os pagamentos feitos por meios eletrônicos mais “tradicionais” apresentados no levantamento —  ou seja, os cartões de crédito, de débito e pré-pago —, temos os seguintes números que comprovam como a cashless economy já é uma realidade aqui no Brasil:

  • total transacionado: R$ 2,65 trilhões | +33,1%
  • cartão de crédito: R$ 1,6 trilhão | +36,6%
  • cartão de débito: R$ 916,3 bilhões | +20,2%
  • cartão pré-pago: R$ 117,1 bilhões | +158,5%

Por que digitalizar o dinheiro?

Com base em todos esses números, ao que tudo indica, a cashless economy é um fato que só tende a crescer mais e mais a cada dia. Mas por quais motivos a digitalização do dinheiro é importante?

Sobre isso, podemos citar uma série de benefícios que afetam tanto a população quanto empresas e governo. Algumas dessas vantagens são:

  • meios de pagamentos digitais são possíveis de serem rastreados, contribuindo para controle de crimes, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras;
  • podem fomentar a criação de novos modelos de negócio e, com isso, gerar mais empregos;
  • são mais rápidos, práticos e baratos (do ponto de vista operacional).

 

Quanto a esse último ponto, vale destacar que o custo do dinheiro em espécie vai muito além do gerado por sua produção. Nesse contexto, também entram questões voltadas para tempo de geração das cédulas e moedas, e gastos com logística, transporte e segurança.

Como está a digitalização do dinheiro no mundo? 

Mas além da expansão do uso de meios de pagamentos digitais que acabamos de citar, no conceito de cashless economy também entra a digitalização das moedas nativas dos países.

A China, um dos países mais avançados nesse processo, desde 2020 está em estudo e testes para a implementação da yuan digital, versão da sua moeda fiduciária, também chamada de e-CNY. 

Conforme publicado pelo portal InfoMoney/CoinDesk, o yuan digital já é usado por mais de 140 milhões de chineses, e já movimentou mais de US$ 9,7 bilhões.

Ainda que funcione com base em blockchain, não se trata especificamente de uma criptomoeda, visto que é emitida e controlada pelo banco central da China, ou seja, não é descentralizada.

Por aqui, o Real Digital tem como data prevista de lançamento 2024, segundo informação apresentada no portal do Senado Federal. Ele é uma CBDC, Central Bank Digital Currency, moeda alternativa brasileira com exatamente o mesmo valor e função do Real em espécie. 

A ideia do governo é que a população use a versão digital da moeda fiduciária nacional para as mesmas aplicações que atualmente tem o Real em espécie, tais como pagamento de contas, produtos e serviços, investimentos, transações financeiras, entre outras.

As mudanças de hábitos de pagamentos, com a moeda digital brasileira, poderão ser vistas por meio de processos mais otimizados, rápidos, precisos e tecnológicos, os quais beneficiarão tanto as empresas quanto seus clientes.

Vale destacar também que, assim como a versão digital chinesa, o Real Digital não é uma criptomoeda, considerando que é emitida e controlada pelo Banco Central do Brasil. Porém, isso não tira dela o seu poder de inovação e seu potencial para intensificar o processo de uma economia sem dinheiro no nosso país.

Este artigo foi escrito pela Movile, empresa que realiza investimentos de longo prazo em empresas de tecnologia na América Latina e visa ser a maior ‘thesis maker’ da região. 

Por meio de sua expertise em cultura, estratégia, M&A, finanças e gestão, apoia companhias como Afterverse, a,55, iFood, MovilePay, PlayKids, Sympla, Sinch, Zoop, Mensajeros Urbanos e Moova. 

A Movile possui o seu portal de conteúdo proprietário, Movile Orbit, onde compartilha conhecimento de seus especialistas sobre os temas mais relevantes do mundo dos negócios.

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